
Fernando Diniz fará, na próxima semana, sua estreia como treinador da seleção brasileira. O auge de uma longa carreira no futebol, iniciada dentro das quatro linhas antes da transição para a área técnica. Mas, para chegar até esse ponto, a história tem muitos outros capítulos.
Foi justamente para conhecer Diniz antes do futebol que a ESPN ouviu irmãos, melhores amigos e alguns professores de infância e adolescência do agora comandante da seleção. Um resgate desde a chegada do menino e sua grande família de Patos de Minas a São Paulo na busca de uma grande mudança de vida – que, de fato, aconteceria.
Uma história em que um Diniz ainda criança perde o pai. Tem uma vida difícil ao lado da mãe viúva e dos sete irmãos. Mas, que mesmo assim, apronta suas “artes” como um bom moleque pelas ruas da zona leste da capital paulista.
Quando conheceu a bola, o garoto virou um fenômeno do futsal. Já no futebol de campo, não foi tão protagonista assim, embora tenha vestido camisas importantes e pesadas. O treinador virou um dos mais revolucionários e polêmicos do país nos últimos anos. Com o detalhe de ter ido buscar respostas na psicologia depois de ter se aposentado como atleta profissional.
Muita história para contar
Era para ser apenas uma reportagem, de 8 a 10 minutos. Mas, à medida em que fomos avançando nas histórias e rastros deixados pelo menino “Testa”, “Fê” ou “Pirulito”, como Diniz era conhecido pelos amigos e familiares na época, na Vila Ema, zona leste de São Paulo, a missão tornou-se impossível. “Sonho de Menino” virou especial de mais de uma hora.

É um registro humano e histórico da vida de um cara venceu com uma de suas grandes paixões da vida. A ESPN, claro, o acompanhou quando atuou por clubes como Guarani, Palmeiras, Corinthians, Fluminense ou Paraná. Já como treinador, o encontramos no programa “O Brasil da Copa do Brasil” comandando o modesto Votoraty, em 2010.
Ali, se preparando para enfrentar o gigante Grêmio, Diniz já se apresentava com um modelo único e bastante particular de treinar uma equipe. Método que ninguém conhecia, mas que vinha fazendo barulho conseguindo recuperar jogadores muitas vezes fora de forma e esquecidos pelo mercado. Um jeitão de treinar e preparar um time que destoava de tudo que já tínhamos visto até então no mundo da bola.
Intenso e afetivo desde sempre
O pai era um empreendedor, comprava feijão de muitas roças de várias cidades do interior de Minas para vender na capital paulista. Segundo os irmãos mais velhos, Antônio foi o primeiro comerciante a trazer o feijão roxinho para São Paulo.
Foi à base de feijão que viveram tempos de fartura durante toda a década de 70, até a morte do pai, vítima de uma leucemia fulminante.
Foi Dona Maria, viúva aos 39 anos, quem criou à unha então os Diniz, trabalhando em casas de famílias e vendendo pães de queijo e salgados. Criou os sete filhos e ainda adotou um do Maranhão, José Benedito Nova, ou Zé Bolacha, um irmão muito querido por todos.
Diniz era o garoto que jogava bola até tarde da noite na rua, fabricava carrinhos de rolimã e não fugia de uma boa briga com quem quer que aparecesse em sua “quebrada” na ZL, como os paulistas chamam a zona leste da cidade.
O talento com a bola no pé migrou das ruas para as quadras, e no futsal Diniz virou craque, com títulos regionais, estaduais e nacionais. Ouvimos jogadores que conviveram com ele como uma promessa do antigo futebol de salão, como Zé Elias, hoje comentarista dos canais ESPN, mas também Guto, um amigo inseparável que acompanhou o hoje treinador desde os 8 anos até os 19 – ele explica por que foi “burro” por não seguir o mesmo caminho que o grande parceiro nos campos.
Para Diniz, a transição acabou sendo difícil, já que sempre foi protagonista nas quadras, um status que não conseguiu manter no campo. Passou a ser coadjuvante e não conseguiu brilhar da mesma forma que antes… Um trauma que ficou na cabeça do hoje treinador da seleção.
Psicologia da vida
Só que a bola não foi a única coisa que encantou Fernando. Ele se encantou também com a leitura e os estudos e carrega, até hoje, a gratidão em forma de amizade com professores da infância e adolescência, que fizeram a diferença em sua vida.
Uma dessas é a professora Dulce, mestre em matemática e que atua até hoje em escola pública. Com Diniz, ela tem uma história inédita, reservada exclusivamente para o ESPN.com.br, que você assiste abaixo. Ela apresenta um técnico preocupado com a formação, não só de seus filhos, mas dos jogadores que comanda.
fonte: https://www.espn.com.br/futebol/artigo/_/id/12525181/historia-fernando-diniz-antes-futebol-briga-craque-quadras-amor-estudo
